O coração na mão...
Comprime-o de punhos fechados.
Esperança de expulsar esta angústia...
Em vão.
O corpo, caixa de pandora.
O coração, bomba de emoção.
O outro
Mania humana: enxergar no outro o diferente. Exercer nele todo tipo de discórdia. E julgá-lo moralmente sem despir-se da própria moral. Ignorar suas qualidades, somente pelos seus defeitos. Fazer dele escravo do mundo. Ser-lhe indiferente. Encará-lo como pedra: o concreto que ergue "estranhas catedrais". E buscar em Deus legitimidade para isso.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Sobre presunções no Estado Democrático de Direito
Não é que a presunção de inocência seja absoluta.
Ela admite prova em contrário.
Mas apenas prova em contrário.
Jamais presunção em contrário.
Ela admite prova em contrário.
Mas apenas prova em contrário.
Jamais presunção em contrário.
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domingo, 31 de janeiro de 2010
Pensamentos em um casulo
Primeiro eu pensava que mergulhar fazia a água entrar pelo nariz e que eu ia cair quando meu pai me jogasse pro alto. Ele não conseguiria me pegar e meu destino era o chão, certamente. E certamente a água entraria pelo nariz. Por isso nunca experimentei nada disso.
Depois, eu pensava que a dança era a coisa mais prazerosa da vida e que, no palco da vida, os palcos com holofotes, quando cheios de gente - eu em cima deles - e com uma platéia na sua frente, ficavam lindos!
Era aí que eu também pensava que o mundo era um teto azul com estrelinhas e luas e penduricalhas, junto com uma TV e algumas paredes amarelas; pensava que o mundo era meu e que, por isso, ele girava ao meu entorno, como se estivesse numa órbita. E, tal qual uma órbita, eu estava redondamente enganada. Foram muitos “nãos” e muitas pirraças em razão dos nãos.
Então eu pensava que o mundo não era mais meu, mas que ele estava contra mim. Pensava tanto isso... tanto quanto eu chorei por causa desse meu pensamento. Até cansar de chorar e achar um motivo para parar de pensar assim.
Aí eu pensava que existia príncipe encantado. E com todos os príncipes que apareceram no meu conto de fadas eu me desencantei. Sim, porque os contos eram só da minha fada.
Mais adiante eu pensava que o mundo era injusto e também que a justiça aguardava seu lugar e seu momento. Pensava até que poderia conquistá-la, mesmo praticamente sozinha, porque eu e mais uns poucos tínhamos nascido para isso.
Hoje, ainda penso que a água vai entrar pelo nariz e continuo sem mergulhar e penso que meu destino será o chão, se meu pai me jogar pro alto. Mas penso que, além da dança, a cultura é um novo prazer e é um mundo além do meu e também que o mundo não é meu, mas não está contra mim. Penso que ele é injusto e está contra quem já não lhe tem o afago, mas não penso mais que posso mudá-lo, nem conquistar a justiça, porque aqueles poucos em quem acreditava para me ajudar a conquistá-la não se dispuseram a ir adiante. Penso que sou impotente sozinha, mas que posso fazer um singelo que signifique algo relevante. Ainda penso que existe príncipe encantado, mas ele não desce de um cavalo branco, nem veste uma capa vermelha, nem usa uma espada. Penso que ele existe, mas vem numa mulinha velhinha, bem lentinha, vestindo bermuda e camiseta, com alguns documentos no bolso.
Amanhã não sei o que pensar, mas meu pensamento será diferente de tudo o que penso agora. Agora penso que mudar meu pensamento fez bem para o meu mundo e que, se eu pensar igual amanhã, não serei a mesma pessoa...
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
O Haiti é logo aí...
Estes últimos dias têm sido complicados. Passamos um reveillon trágico, com muitas mortes e, em alguns pontos turísticos, perspectiva de recessão econômica. Por causa das mortes.
Ainda estávamos bem. Temos defesa civil, bombeiros, exército, polícia civil, militar... O terremoto no Haiti nos fez perceber isso. Ainda que devamos admitir que ainda estamos longe do ideal.
Tudo isso me confundiu muito quando, depois de quase um mês de férias, bateu a saudade do trabalho.
E o refrão do Caetano Veloso misturou mesmo as duas coisas aqui dentro desta cabeça oca.
E vejam como são tratados os pretos, ou brancos quase pretos de tão pobres:
Fernando Meirelles teria tido um bom set para Ensaio Sobre a Cegueira...
Ainda estávamos bem. Temos defesa civil, bombeiros, exército, polícia civil, militar... O terremoto no Haiti nos fez perceber isso. Ainda que devamos admitir que ainda estamos longe do ideal.
Tudo isso me confundiu muito quando, depois de quase um mês de férias, bateu a saudade do trabalho.
E o refrão do Caetano Veloso misturou mesmo as duas coisas aqui dentro desta cabeça oca.
E vejam como são tratados os pretos, ou brancos quase pretos de tão pobres:
Fernando Meirelles teria tido um bom set para Ensaio Sobre a Cegueira...
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domingo, 10 de janeiro de 2010
Avatar
Vimos Avatar. Hesitei muito, desde que o filme entrou em cartaz, porque o próprio trailler denunciava ser o tipo de cinema que não me atrai. Mas me atraía.
Hoje já hesitamos por outro motivo: sessão 3D esgotada. Deixamos para ver outro dia com os oculinhos ou vemos hoje mesmo? Acabamos entrando.
O roteiro em si não é muito surpreendente. Mas surpreende com o resto: a mensagem, a fotografia, os efeitos, a direção, nos atores. Tudo converge para uma sensação muito boa que se sente do início ao fim - é claro que mitigada por situações de tensão, mas nada que nos tire daquele sonho de viver em harmonia.
Sabe, acho que a nossa cultura ainda não está perdida. Podemos fazer coisas boas, mesmo usando aquilo que nos parece mero modismo, tipo computação gráfica e efeitos especiais. É só querer tocar o coração das pessoas.
Por isso recomendo que conheçam a história do Avatar. Nos faz refletir sobre nossas ações e, sobretudo, sobre nossas crenças. Nos faz crer... em algo útil e saudável.
A próxima sessão é 3D.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
Desejo
Como sempre, uma literatura de fim de ano:
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Victor Hugo
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Econômetro
Lembro quando, logo no início do plano real, pegava ônibus com mamãe e pagava R$ 0,30 pela passagem.
E foi aumentando, aumentando, aumentando... E o serviço foi piorando, piorando, piorando...
Hoje pagamos R$ 2,20 pra andar num ônibus sem ar condicionado. E R$ 2,50 num com ar.O engraçado é que os de R$ 2,50 só circulam no inverno.
Não faz dois anos a Câmara dos Vereadores do Rio aprovou a prorrogação da concessão da maioria das empresas de transporte rodoviário urbano sem licitação. E cada uma dessas empresas tem umas três linhas que fazem o mesmo itinerário. Sei que pra bom entendedor meia palavra basta, mas nunca é demais ser textual: não há concorrência entre as empresas.
O metrô, vergonhosamente, tem duas linhas ridículas e há pouco tempo implantou um sistema de cobranças pelo qual você só pode comprar antecipadamente suas passagens se usar o metrô todo dia. Se não, corre o risco de perder o dinheiro gasto, porque o bilhete tem validade de dois dias.
Tudo isso, é bom dizer, pra esperar pelo menos quatro minutos entre uma composição e outra (em São Paulo, por exemplo, é um minuto de espera) e pelo menos quatro composições passarem pra você conseguir entrar numa lata de sardinha pra ir pra casa depois de um dia de trabalho.
Semana passada foi um desastre, e hoje parece que foi pior: inauguraram a linha direta Pavuna-Botafogo... mas os passageiros só iam até a Glória! Uma amiga minha ficou meia hora presa entre duas estações.
Isso sem falar naquele Riocard, que tem meia dúzia de postos de recarga e um recadastramento absurdo, que deixa aluno sem aula, idoso a pé e gestante com dor nas costas. E não falei dos cadeirantes... Em suma, disseram que o Riocard era pra facilitar a vida do cidadão, mas na prática mesmo só serve pra controlar a gratuidade.
E agora vem esta proposta de bilhete único intermunicipal do governo do Estado: R$ 4,40 (pasmem, já descontados os subsídios do Estado) pra andar em no máximo duas modalidades, com direito a no máximo duas viagens por dia com no mínimo uma hora de intervalo cada uma. Ou seja, se o sujeito quiser resolver suas pendências burocráticas, por exemplo, vai ter que pagar R$ 4,40 mais uma passagem de cada vez.
Depois perguntam por que esta cidade tá parada, por que a área portuária e a cidade nova estão abandonadas... Me explica como desnvolver economicamente uma cidade sem política de transporte público?
Afê!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Na casa e no transporte público... mas na biblioteca não.
Se você quer ler no Rio fora do seu horário de expediente, possui duas opções:
1. sua cabeceira - ótimo para leituras de passatempo antes da soneca, depois do banho e do jantar; não possui horário-limte (só o seu mesmo).
2. o metrô - excelente opção para aproveitar aquele tempinho vago mas não tão vago e estudar (concurseiros e universitários de plantão, agarrem com força!).
Biblioteca? No Centro da cidade e em uma meia dúzia de bairros onde haja uma das poucas universidades privadas que levam a qualidade do ensino minimamente a sério você encontra outra meia dúzia de bibliotecas abertas entre 8:00 e 22:00. Mas elas fecham nos fins de semana. Universidade Pública? Também só de segunda a sexta. Horário mínimo: 9 da manhã. Horário máximo: 8 da noite.
Não há opção. Mesmo os centros culturais não abrem exceção ao horário de expediente para as bibliotecas, que acabam funcionando das 10:00 às 18:00, no máximo - pode procurar, passei duas hora na internet pesquisando.
Portanto, concurseiros, não trabalhem se não tiverem paz em casa para estudar (e isso é muito comum). Portanto, acadêmicos, tentem uma bolsinha mixaria daquelas do CNPq ou da CAPES para produzir alguma coisa. Só assim estarão livres para aquelas leituras que só se fazem nas bibliotecas.
PS: outro dia mesmo saiu reportagem sobre o hábito raro de leitura do brasileiro. As estatísticas são coincidência?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Da dança que extasia qualquer eu,
No caminho fez-se o medo pelo breu.
A casa, no térreo, se envolveu
Na ausência de um cão que faleceu.
Pavor de silêncio e de barulho
desvia no banho em que mergulho,
mas retorna na iminência de um esbulho.
Quando penso que está quase no final,
o telefone queda sem sinal.
E a notícia que se alastra soa mal:
espalha como o breu num vendaval.
A paz alivia o coração
quando enfim se esvai a solidão:
a mãe, o pai e um irmão.
Paz que não compensa este pavor,
mas permite, com todo o calor,
que se sonhe sob o amparo do amor.
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