O outro

Mania humana: enxergar no outro o diferente. Exercer nele todo tipo de discórdia. E julgá-lo moralmente sem despir-se da própria moral. Ignorar suas qualidades, somente pelos seus defeitos. Fazer dele escravo do mundo. Ser-lhe indiferente. Encará-lo como pedra: o concreto que ergue "estranhas catedrais". E buscar em Deus legitimidade para isso.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Gone too soon

Like a comet Blazing 'cross the evening sky Gone too soon Like a rainbow Fading in the twinkling of an eye Gone too soon Shiny and sparkly And splendidly bright Here one day Gone one night Like the loss of sunlight On a cloudy afternoon Gone too soon Like a castle Built upon a sandy beach Gone too soon Like a perfect flower That is just beyond your reach Gone too soon Born to amuse, to inspire, to delight Here one day Gone one night Like a sunset Dying with the rising of the moon Gone too soon

terça-feira, 23 de junho de 2009

Tipo

O retrato na porta. A porta no retrato: o retrato da porta. Porta-retrato.

Da rotina do paladar

Gosto de ter que fechar a tampa do tubo da pasta de dente e apagar as luzes quando saio do recinto.
Gosto do seu edredon e do seu travesseiro.
Gosto de te censurar quando ouço suas asneiras à mesa, ao mesmo tempo em que gosto de rir delas.
Gosto de sentir o celular vibrando depois de ter desligado o telefone na sua cara porque liguei a cobrar.
Gosto de não gostar do David Lynch e de ficar cega quando você tampa meus olhos para eu não me assustar com a cena do filme.
Gosto do Keith Haring, do Escher e do Andy Warhol.

Gosto de não gostar de metal e mesmo assim gostar de ouvir Iron Maiden na voz do Bruce Dixon.

Gosto de viajar, de tirar fotos e de ser modelo fotográfico.

Gosto de responder ironias desmedidas e propositais sobre o sistema penal brasileiro e de rir do projeto de república islâmica que você quer implantar como ayatolá no Brasil.
Gosto de não entender nada de vinhos e de degustar aqueles que você escolhe por mim.
Gosto de comer muito e bem.
Gosto de ser censurada quando olho a vitrine de uma loja de sapatos.
Gosto de piscar meus olhos contra os seus, de fazer beijo de borboleta e de dormir de conchinha.
Gosto de ser contrariada quando digo que te amo e de confirmar que não te amo só pra ser contrariada de novo.
Gosto de contorcer o pescoço pra receber carinho e de dar gargalhada quando me atiro em você.

E, se não fosse você, baby, não gostaria de nada disso.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O motorista era diferente. Guiou-o, com a voz, até o assento preferencial do coletivo. Mas a excepcionalidade mesmo veio em esperá-lo sentar antes de dar partida.

No curto percurso de quinhentos metros conservaram sobre sabe-se lá o quê, e logo o ônibus parou, com o freio de mão puxado.

Enquanto me preparava para sair pela porta traseira, o motorista abriu também a dianteira, para onde me dirigi preocupada com o fato de aquele velhinho estar à mercê da ajuda de uma única pessoa.

- O problema é que o mercado fica do outro lado da rua. – disse o motorista.

- Sem problemas. Por favor, me leve até a calçada. Ali consigo alguém para me ajudar a atravessar.

Logo me intrometi e me ofereci a me aventurar.

Não havia sinal de trânsito. E levá-lo até um seria ainda mais perigoso, com aqueles passinhos de formiga.

Ele me viu. Sei que me viu, quando me perguntou se me importaria caso acendesse um cigarro. Tanto me viu, que compreendeu que não fumo.

Respondi que tudo bem.

E ali ficamos esperando os vários momentos em que os carros estavam ao longe, mas não o suficiente para atravessarmos com os passinhos de formiga.

Quando o toco de cigarro caiu ao chão, alma do bem percebeu nossa dificuldade e se dispôs a ajudá-lo.

E ele estava em melhores mãos quando o deixei...

domingo, 14 de junho de 2009

Para... ódia!

Para evitar gravidez, diane 35 Para emagrecer, salada Para inflamação, gynben e unygin Para manchinhas, glyquin Para o sol, redermic 15 Para alergia, nasonex Para crise alérgica, desalex OBS: Tudo isso no auge dos 24 anos...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Procurando um canto onde possa cantar um conto de vida...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Da rotina do deserto

Depois da rotineira e ríspida discussão sobre o porvir político e pequeno que desejava, ela atravessaria atordoada um campo repleto de gatos. Os gatos procriar-se-iam em crescente exponencial a cada dia, mas ela não perceberia a diferença dos números. A beleza das árvores, dos lagos, dos peixes, dos perus, dos pavões, das cotias, dos patos e das pontes não se esconderia jamais atrás do descuido do poder público. A travessia, porém, seria alheia a tudo. Terminaria num deserto de comerciantes que imporiam a qualidade de seus produtos na voz. Seriam tantas as vozes, roucas, plenas, agudas, graves, fanhas, molecas, sérias... Vozes de rádio fazendo marketing primitivo. Mas nenhuma delas se sobreporia às das cenas das rotineiras e ríspidas discussões sobre o porvir político e pequeno que desejava. Ela passaria por predinhos antigos, com fachadas destruídas e restauradas. Neles, porém, enxergaria um dedo em riste contra sua cara. Pararia à frente de restaurantes com odor de gordura, mas o cheiro de mofo das instalações do centro acadêmico ainda impregnariam sua memória. Esbarraria em mulheres vestidas a veludo. Só o que poderia sentir na pele, contudo, seria o suor nas pernas provocado pelo couro do sofá.
Provaria uma especiaria oferecida por um vendedor, mas o gosto da adrenalina misturada à saliva esconderia o ardor da pimenta
Ela atravessaria aquele deserto todos os dias. Todos os dias no deserto à sua volta e no oásis dos seus pensamentos.
Tão alheia a tudo que só poderia se dar conta anos depois, quando passaria por ali e perceberia como havia triplicado o número de gatos naquele campo, como os predinhos eram graciosos - e que pena que estariam tão destruídos -, como aquelas vozes a irritariam, como o cheiro de gordura lhe provocaria ânsia, como se esbarrariam com frequência as pessoas por ali.
Finalmente, provaria uma pimenta deliciosa e, sem titubear, levraria um frasco à casa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ficção ou realidade?

Foram estas as palavras que Gabriel García Marquez atribuiu ao general Moncada, quando, sentenciado à morte, foi indagado por Aureliano Buendía, com quem trocou segredos de guerra do lado oposto, se não teria feito o mesmo contra ele caso os conservadores estivessem no comando do então município de Macondo:
"Provavelmente. Mas o que me preocupa não é que me fuzile, porque ao fim e ao cabo, para pessoas como nós esta é a morte natural. O que me preocupa é que de tanto odiar os militares, de tanto combatê-los, de tanto pensar neles, acabou se tornando como um deles. E não há um ideal na vida que mereça tanta abjeção. Neste passo, não só será o ditador mais despótico e sanguinário de nossa história, mas acabará fuzilando minha comadre Úrsula tratando de apaziguar sua consciência."
Lembrando que Úrsula é mãe do coronel Aureliano e contrária ao fuzilamento.
Alguma coincidência com a realidade?

domingo, 17 de maio de 2009

Ai,ai...

Tô precisando estudar. Alguém aí dá uma força?

sábado, 9 de maio de 2009

Conheceram-se numa boate em São Paulo. Ele mauricinho, dizendo que trabalhava em banco. Ela arrumada, dizendo que tinha namorado. Não faria diferença, ele estava interessado em outra mulher. Mas no dia seguinte a procurou. Ela já sabia o que queria da vida e não tinha paciência para cantadas inúteis. Mesmo assim, ele esteve no Rio de Janeiro, no carnaval. Queria encontrá-la, mas mal conseguiu. Ela também não tinha saco para encontros casuais. Ele voltou à garoa, e ela nem tinha saído do lugar. Enquanto ela bebia cerveja no centro da cidade, num papo revolucionário sobre exploração bancária da população de baixa renda, ele bebia vinho na Vila Madalena, explicando como o spread havia aumentado e a inadimplência diminuído, mesmo com as taxas lá em cima. Ele voltou para o Rio, mas evitou o papo do spread. Preferiu falar de comunismo e mostrar que gostava da Lapa. Ela curtiu um pouco e voltou a São Paulo no fim do ano. Não deixava de estar decidida, mas desta vez ela queria. Estava, porém, desistida. Ainda assim, ele a levou a uma pizzaria, onde encontraria alguns amigos malucos e/ou divertidos. Depois sugeriria uma balada. Ela acompanhou a noite. O amigo os deixou sozinhos. E sozinhos eles foram embora...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em terra de santa cruz...

Quero registrar a resposta do Deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) ao programa CQC, na cobertura do fim da bagunça das passagens aéreas. O diálogo foi algo como isto: como sempre, Danilo Gentili fez uma pergunta irônica, do tipo "o Sr. gostou do fim da farra das passagens?", mas não obteve resposta. Depois da terceira tentativa, o monólogo virou diálogo parecido com este: - A imprensa não deveria se meter no que acontece no Congresso. Ligeiro comentário: não que eu considere a imprensa responsável, até porque ela sempre soube dessa bagunça e nunca publicou nada a respeito. Bom, pelo menos alguém de bom senso finalmente resolveu falar, né? Continua o diálogo: - Ah, não?! Por quê? - Porque ela não paga nada aqui dentro. - Ah, eu pago: fui eu que paguei a construção daquela parede ali, ó. E o seu salário eu também pago. Agora, observe a resposta: - O povo também paga e não vem aqui reclamar! Olha... sem comentários!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Parafraseando...

Sabedoria é a consciência de ignorar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bate-boca

O episódio no STF é lamentável. Lamentável porque a Constituição exige idade mínima para compor o STF justamente para louvar a maturidade e a sensatez. Anteontem o que houve foi imaturidade e insensatez. Sinceramente, neste estágio pouco me interessa quem tem razão e quem não tem. Não é mais o que está em jogo. Estava, até aquilo acontecer. Mas não mais. Se há exposição na mídia, se não há, se há populismo judicial, se não há... Isso é o que menos importa neste momento. Agora, que intrigas pessoais não virem motivo oculto das próximas decisões.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ah!, esse meu velho pensamento...
ele quer sair de dentro de mim.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fabricada

Não sou feita de papel. Não me rasgo fácil e não sirvo de chapéu. Não sou feita de pedra. Não me erode a chuva e sou mais dura na queda. Não sou feita de plástico. Não me atrai o lixo e adoro o realístico. Não sou feita de açúcar. Não me dissolve a água e sou amarga na luta. Não sou feita de sal. Não me eletriza o cobre e sei ser doce afinal. Não sou feita de aço. Não me enrijece o coração e derreto no mormaço. Me diga feita de flores, das orquídeas que colorem os jardins, das trepadeiras que se agarram a um fim, dos cactos que se firmam nos confins. Me diga feita de mãos que eu estenda enfim, de pés por que ande assim, de corações que me digam sim. E me diga feita de amor porque é o amor que lhe alimenta... e a mim.