O outro

Mania humana: enxergar no outro o diferente. Exercer nele todo tipo de discórdia. E julgá-lo moralmente sem despir-se da própria moral. Ignorar suas qualidades, somente pelos seus defeitos. Fazer dele escravo do mundo. Ser-lhe indiferente. Encará-lo como pedra: o concreto que ergue "estranhas catedrais". E buscar em Deus legitimidade para isso.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Econômetro

Lembro quando, logo no início do plano real, pegava ônibus com mamãe e pagava R$ 0,30 pela passagem.

E foi aumentando, aumentando, aumentando... E o serviço foi piorando, piorando, piorando...

Hoje pagamos R$ 2,20 pra andar num ônibus sem ar condicionado. E R$ 2,50 num com ar.O engraçado é que os de R$ 2,50 só circulam no inverno.

Não faz dois anos a Câmara dos Vereadores do Rio aprovou a prorrogação da concessão da maioria das empresas de transporte rodoviário urbano sem licitação. E cada uma dessas empresas tem umas três linhas que fazem o mesmo itinerário. Sei que pra bom entendedor meia palavra basta, mas nunca é demais ser textual: não há concorrência entre as empresas.

O metrô, vergonhosamente, tem duas linhas ridículas e há pouco tempo implantou um sistema de cobranças pelo qual você só pode comprar antecipadamente suas passagens se usar o metrô todo dia. Se não, corre o risco de perder o dinheiro gasto, porque o bilhete tem validade de dois dias.

Tudo isso, é bom dizer, pra esperar pelo menos quatro minutos entre uma composição e outra (em São Paulo, por exemplo, é um minuto de espera) e pelo menos quatro composições passarem pra você conseguir entrar numa lata de sardinha pra ir pra casa depois de um dia de trabalho.

Semana passada foi um desastre, e hoje parece que foi pior: inauguraram a linha direta Pavuna-Botafogo... mas os passageiros só iam até a Glória! Uma amiga minha ficou meia hora presa entre duas estações.

Isso sem falar naquele Riocard, que tem meia dúzia de postos de recarga e um recadastramento absurdo, que deixa aluno sem aula, idoso a pé e gestante com dor nas costas. E não falei dos cadeirantes... Em suma, disseram que o Riocard era pra facilitar a vida do cidadão, mas na prática mesmo só serve pra controlar a gratuidade.

E agora vem esta proposta de bilhete único intermunicipal do governo do Estado: R$ 4,40 (pasmem, já descontados os subsídios do Estado) pra andar em no máximo duas modalidades, com direito a no máximo duas viagens por dia com no mínimo uma hora de intervalo cada uma. Ou seja, se o sujeito quiser resolver suas pendências burocráticas, por exemplo, vai ter que pagar R$ 4,40 mais uma passagem de cada vez.

Depois perguntam por que esta cidade tá parada, por que a área portuária e a cidade nova estão abandonadas... Me explica como desnvolver economicamente uma cidade sem política de transporte público?

Afê!


Um comentário:

bernardo disse...

por questões corporativistas, eu trocaria o nome do post para politicômetro ;)

o sistema de transporte do rio é um horror, principalmente se considerado o seu preço.

Falta competição de verdade. Infelizmente, nesse caso e em alguns outros, ocorre uma espécie de monopólio natural. Impossível imaginar 2, quanto mais infinitas empresas de metrô, furando a cidade e concorrendo entre si.

Nesses casos, o papel da regulação é fundamental. Só que nossos reguladores e políticos são facilmente "capturados" por essas "empresas", que fazem o que querem, mesmo sendo uma concessão.

Aqui uma lista dos preços de transporte público em varias cidades do mundo

http://twitpic.com/photos/Baere