Aguardando ansiosamente um futuro incerto. Mulher, companheira, filha, amiga. Agora com uma nova identidade: advogada. E quem pensou que sofreria para chegar até aqui agora vê que não chegou a lugar algum. O caminho segue cheio de pedras. Drumond que o diga.
O outro
Mania humana: enxergar no outro o diferente. Exercer nele todo tipo de discórdia. E julgá-lo moralmente sem despir-se da própria moral. Ignorar suas qualidades, somente pelos seus defeitos. Fazer dele escravo do mundo. Ser-lhe indiferente. Encará-lo como pedra: o concreto que ergue "estranhas catedrais". E buscar em Deus legitimidade para isso.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Jorge Machi
Agora diga.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Visitando minha amiga do gato amestrado (link ao lado), lembrei do Arcade Fire, que não ouvia há algum tempo. Como gosto muito deles, fui pro youtube procurar outras coisas. Taí aí outra música que gosta muito: Wake up. Este aí é com David Bowie.
domingo, 15 de novembro de 2009
No sonho esta noite Vi um grande temporal. Ele atingiu os andaimes Curvou a viga feita A de ferro. Mas o que era de madeira Dobrou-se e ficou.
Vimos This is it, o documentário que a produtora do megashow do Michael Jackson montou para tentar cobrir os rombos decorrentes da morte dele.
Tá, eu sei, sou suspeita pra falar. Por isso mesmo, e para não parecer piegas demais, vão aí resumidamente algumas conclusões a respeito do show, da equipe e do artista:
1) o show ia ser animal!;
2) imagine os maiores sucessos do Michael sendo tocados com os mesmos arranjos musicais dos álbuns, com o mesmo formato de vídeo, mas com uma produção atualizada à tecnologia do século XXI, tipo pirotecnia, multiplicação gráfica de pessoas, aranha gigante, o Michael saindo de um robozinho, etc... o show era bem isso.
3) o Michael estava dançando melhor do que quando lançou o último álbum, Invincible,em que ele gravou o videoclipe You Rock My World, o pior da carreira dele;
4) se você sempre pensou que o Michael era perfeccionista... ele era mil vezes mais;
5) na equipe, além do Ortega, estavam os melhores bailarinos de rua do mundo e uns músicos do c...;
6) nunca aprove uma nota ou um tecido de figurino ou um recurso digital qualquer sem falar com o homem: você pode levar um esporro;
7) não queira levar um esporro do Michael... principalmente se ele disser que é por amor ("i´m saying for love, l-o-v-e, love!");
8) não acredito que ele morreu antes de eu ver um show dele.
Assistam ao filme. Não há pieguices. Mostra o Michael como ele era, com defeitos e virtudes, manias e desprendimentos. Vale a pena.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Minha vida, meu minuto de vida. Minuta da minha vida.
Faz pouco quebramos a cabeça com a santa ceia. Mil peças, uma por uma, encaixadas ao longo de uma semana tormentosa.
Não sou dada aos ensinamentos bíblicos - nunca os li de verdade - e creio penso até que, de regra, minha mania de enxergar o mundo historicamente jamais me permitiria ver naquela cena algo além de um quadro que, ao longo de muitos anos, assumiu variadas interpretações.
A minha sempre foi a de um homem que prenunciou subversivamente, antes mesmo do mercantilismo, o manifesto de 1848.
Que digam os políticos, historiadores, filósofos, teólogos e afins que é isso?! heresia histórica, epistemológica, paradigmática! Penso mesmo que a história se repete, embora, é verdade, de maneiras distintas.
Que digam os religiosos que é isso?! heresia! A eles, que têm o direito de crer, tenho procurado incessantemente uma justificativa.
E nessa busca talvez tenha encontrado naquela cena algo além de um objeto de múltiplos olhares.
A diferença entre a cena e o prenunciado manifesto é que, em vez de clamar para que os Homens pegassem em armas, aquele homem repartiu entre eles o pão, esperando e instigando, com o dom da palavra, que fizessem o mesmo.
Está aí a beleza da santa ceia neste mundo de hoje: cada peça, um milésimo da cena; e as peças, unidas umas às outras, a cena inteira, linda como deveria ser.
Chegará o dia em que o prenúncio se concretizará - a igualdade e a solidariedade entre os homens.
Enquanto isso, a cena segue fixada à minha parede e à minha história.
Engana-se quem diz que o homem não é capaz de amar.
Amar é fácil. Tão fácil quanto impor condições ao amor.
É isto o que me entristece: saber que jamais verei no homem um amor incondicional.
Mas é também o que me alivia: lembrar que, dentre tantos homens, fui dos poucos que experimentaram um amor que por nada se interessasse senão por um punhado de comida e um pouco de paz no sono.
Eu, homem, sem amor incondicional, não tive paz no sono: sonhei que você ia num ônibus para bem longe e me abandonava no meio da rua.
Agora eu sei que você subiu de verdade naquele ônibus.
Mas o seu amor, incondicional sempre, guardo dentro de mim... porque sei que na humanidade jamais hei de encontrá-lo outra vez.
Quinta-feira, Mari ia contando sobre como andava sua vida quando chegamos ao sinal aberto, aquele que se atravessa do fórum até a Av. Erasmo Braga.
- Onde fica o metrô mais próximo daqui?, perguntou uma moça.
Solícita, Mari respondeu que estávamos indo para lá, e a mulher resolveu nos seguir.
Fechado o sinal, começamos a andar, e a moça resmungou:
- Gente, nunca vi trânsito igual!, tudo isso é "só" por causa daquela confusão na Central? – como se a confusão na Central fosse pouca coisa.
- Olha, a Central até ajuda, mas esta cidade é assim mesmo: choveu, para tudo... – respondi.
- Ah, então eu não sei como vocês conseguem morar nesta cidade porque eu não aguentaria porque eu nasci aqui mas fui pra Minas bem nova nunca mais voltei e agora tive que vir pra cá por causa de um evento e eu estou sofrendo aqui porque em Minas não tem esse trânsito agora você vê pra ir pra Jacarepaguá eu tenho que pegar metrô um ônibus em Copacabana e depois outro ônibus na Barra e eu sofro com isso porque em Minas não é assim porque em Minas eu chego em qualquer lugar de ônibus sem perigo nenhum porque essa violência do Rio de Janeiro...
Nisso, interrompi a moça porque Mari tinha me abandonado pra eu ouvir sozinha aquele monte de ladainha e já estávamos atravessando para o Buraco do Lume quando a moça virou pro lado contrário:
- O metrô é pra cá, senhora.
- Não, vou pegar o ônibus aqui mesmo porque não dá pra pegar metrô ônibus depois outro ônibus porque é muito cansativo pra mim que estou acostumada com Min...
E, conforme íamos nos afastando, não ouvíamos mais aquela voz ao longe. Mas ríamos de longe, porque no Rio, minha senhora... no Rio se ri de tudo. Até do trânsito... e de longe.
O último post do Antiblog de Criminologia (link ao lado), de Salo de Carvalho, prestigiou o documentário A Casa dos Mortos, da diretora e antropóloga Débora Diniz, que mostra a realidade dos manicômios judiciais.
O roteiro inicial do filme foi adaptado para contemplar um poema de Bubu, que possui uma história de 12 anos de passagens pelos hospitais psiquiátricos, escrito simultaneamente às filmagens.
A película é curta, mas objetiva e sensível.
Valia postar o vídeo e o poema, logo abaixo.
A Casa dos Mortos
Bubu
A casa dos mortos
das mortes sem batidas de sino.
- Cena 1 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das overdoses usuais e ditas legais.
- Cena 2 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das vidas sem câmbios lá fora.
- Cena 3 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
Prá começo de conversa, são 3 cenas,
são 3 cenas anteriores e posteriores
às minhas 12 passagens
pelas casas dos mortos,
que são os manicômios;
- tenho - digamos assim ! -
surtos de loucura existencial brejinhótica,
relativos à minha cidade natal,
Oliveira dos Brejinhos - Bahia - Brasil;
voltando às cenas:
... cenas que, por si sós,
deveriam envergonhar os ditames legais
das processualísticas penais e manicomiais;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
Pois, bem: são 3 cenas,
são três cenas repetidas e repetitivas
de um ritual satânico-sacro
com poucos equivalentes comparados de terror,
cujo estoque self-made in world
é o medicamentoso entupir de remédios,
o qual se esquece de que
A Era Prozac
das pílulas da felicidade
não produz A Era da Felicidade
da nossa almática essência de liberdade;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
E, ainda sobre as 3 cenas:
são 3 cenas de um mesmo filme-documentário:
Cena 1, das mortes sem batidas de sino;
Cena 2, das overdoses usuais e ditas legais;
Cena 3, das vidas sem câmbios lá fora
- que se reescrevam, então,
Os Infernos de Dante Alighieri;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
Reporto-me às palavras de um douto inconteste,
um doutor que rompeu o silêncio,
o jornalista Jânio de Freitas,
do jornal A Folha de São Paulo:
"A psiquiatria é a mais atrasada das ciências"
- Parafraseio Jânio de Freitas
porque a casa dos mortos,
que é a metáfora arquitetônica
pela qual designo a psiquiatria,
pede que se fale
contra si mesma!
***
E, por falar, também, em lucidez,
sou lúcido e translúcido:
a colunista-articulista Danuza Leão,
no jornal baiano A Tarde, explica:
"Lucidez é reconhecer
a sua própria realidade,
mesmo que isso lhe traga sofrimentos."
Mas, qual, ó Bubu!:
isto aqui é a casa dos mortos,
e, na casa dos mortos,
quem tem um olho é rei,
porque esta é a máxima e a práxis
da casa dos mortos.
***
Hospital São Vicente de Paulo /
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, abril de 1995:
o laudo a meu respeito (eu Bubu)
é categórico e afirma sinteticamente:
"O senhor Bubu é perfeita e plenamente lúcido!".
Mas, é que lá a psiquiatria é Psiquiatria Federal,
Quero a vida e um fim de tarde com café no campo, onde eu possa respirar ar puro e plantar tomate na horta.
Mas antes, quero a vida e uma montanha-russa, para encarar o vento e sentir medo de altura, pensar que é ali que a vida acaba e querer viver um pouco mais e melhor.
Quero me perder na noite de Buenos Aires e depois escalar os Andes, atravessar o Pacífico e visitar arquipélagos, depois partir para a Torre Eiffel e para o Coliseu.
Quero a vida e a confusão de sentir saudade e felicidade ao mesmo tempo, viver uma grande paixão, depois um grande amor e aí um grande fim.
Quero ver o sol se pôr no Arpoador, no Pelourinho e em Genipabu, e visitar Yanomamis para ver o mesmo filme ao lado deles.
Quero ser o fim da guerra e o início do paraíso, onde se ganham pão, água, vinho e um templo para orar, seja lá qual for o Deus em que eu acredite.
Quero ver o mar, a terra, as árvores, os pássaros e os peixes, e quero ver o homem na selva... a verdadeira selva, não a que ele construiu.
Quero ir a Angola e colher depoimentos de guerra, ver a reconstrução e andar de transporte coletivo.
Quero sumir da vida das pessoas que conheço e conhecer outras, depois também sumir da vida delas, até sumir do mundo de vez.
Quero ouvir música no ônibus, carregando mochila a pé, e à fogueira numa praia qualquer, em qualquer lugar do mundo, para dançar em volta dela com uns poucos e bons companheiros.
Quero a saga de ser deusa, mas mortal, para me infiltrar nos mitos gregos e fazer deles realidade, ver a tragédia que pode causar o amor e a alegria que pode trazer a esperança.
Quero a vida e um pouco de chocolate, para sentir prazer e ter paladar, porque não se sente mais o sabor das coisas neste mundo.
Quero a vida, beijo e lascívia, pura como o véu e carinhosa como a brisa. Quero a brisa...
Quero a vida, a brisa e um pouco de saúde... porque assim poderei morrer de viver mais do que pude.
Sabe, andei descrente do mundo. A moça do morro passou por mim, me deu bom dia, como vai? Fui muito bem até ver a prece em agradecimento por esta “água que eu levo para a casa”. A casa... A casa engraçada, não tinha teto, não tinha nada. E a filha da moça cruzou no meio da conversa, cruzou a linha no telemarketing, me deu bom dia, como vai? e, no fim do dia, não soube abrir o mesmo sorriso, depois do milésimo palavrão burguês e da milionésima açoitada patronal. A moça deu sermão, minha filha, agradeça a Deus, nosso Pastor, pelo emprego que tem. A moça disse: agradeça, não é qualquer um que tem a oportunidade de ouvir palavrões e de ser açoitado! A moça não sabe por que o mundo é assim. Só sabe que é. Ponto. “E agradeça, viu?” Foi então que fiquei descrente do mundo. Andei descrente desde então...
"Se não fosse você - e só você consegue isto -, meu dia seria cinza, minha vida marrom e meu futuro negro. Agradeço todo dia por ter esse verde vivo durante meu tempo."
fepeixinho
Fernanda
Rio de Janeiro/São Paulo
Incomum nas palavras dos poetas, comum nos seus pensamentos. Porque seu nome não inspira histórias de amores, proibidos ou não, nem guerreiras ou sequer pervertidas mulheres apaixonadas. Não. Mas dentro de cada Cecília, no interior de cada Olga e no fundo de cada Anita, ali está uma Fernanda, pouco vista aos olhos da realidade, tão sentida ao tato dos poetas. Não se pretende inspiradora de paixões imortais, pois o mundo dos fatos é distinto do dos versos. Também não se quer tão intrigante, pois não há sua força como violar as leis da história, como num filme. Nem se sonha tão desejada, pois os olhos alheios a tomam sem as retinas de Nelson Rodrigues. Há nela, porém, um pouco de cada verso, um pedaço de cada imagem, um trecho de cada frase. Uma mistura de Capitu com Mulher de Atenas e Sônia, que lhe faz peculiar aos olhos dos grandes arquitetos das palavras e dos sentimentos. Tão peculiar que os inspira. É pena que nenhum deles conseguiu reunir tantas Fernandas numa só. É pena que Cecília não conseguiu ir assim tão longe...
Um show de sensibilidade! As histórias colhidas em plena Alameda - Santiago são reproduzidas por cada um dos fios que cruzam as salas da Galeria Gabriela Mistral, num jogo de luzes e sombras. Puxe um e ouça o que ele tem a contar...
Por que não?
Carlos Garaicoa
Quem crê?
Jorge Machi
Na cabeceira
O Processo - Franz Kafka
Na prateleira
A arte da vida - Zygmunt Bauman
A Face Oculta da Droga - Rosa del Olmo
As Mentiras que os Homens Contam - Luís Fernando Veríssimo
Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
Difícieis Ganhos Fáceis - Vera Malaguti
Em Busca das Penas Perdidas - Eugênio Raúl Zaffaroni
Estorvo - Chico Buarque
Introdução Crítica ao Direito Penal Brasileiro - Nilo Batista
Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Marquez
O Duelo: Churchill X Hitler - John Lukacs
O Poder Simbólico - Pierre Bourdieu
Os Demônios - Fiódor Dostoiévski
Os Irmãos Karamazovi - Fiódor Dostoiévski
Punir os Pobres - Loïc Wacquant
Prediletos
O que é Direito ? - Roberto Lyra Filho
Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
Vi e gostei:
A Acusação (adaptação de "O Processo" - Franz Kafka)